Skip to main content
Acervo Especial

Personalidades Históricas

Filtrar e Buscar
Eduardo Campos
14 itens
Coleção

Eduardo Campos

Eduardo Henrique Acioli Campos (1965–2014) nasceu no Recife, em 10 de agosto de 1965. Muito jovem, com 16 anos, já estava estudando economia na Universidade Federal de Pernambuco. Foi presidente do Diretório Acadêmico, já demonstrando sua liderança política. Foi orador da turma na formatura em 1985. Em 1986, poderia ir para o mestrado nos EUA, mas o avô, Miguel Arraes, era candidato ao governo de Pernambuco e Eduardo entrou de corpo e alma na campanha. Arraes volta ao Palácio das Princesas e Eduardo torna-se chefe de gabinete. Participa diretamente na criação da primeira Secretaria de Ciência e Tecnologia do Nordeste, em 1987, e, da primeira Fundação de Amparo à Pesquisa da região, a Facepe, em 1989.  Filia-se ao PSB em 1990 e é eleito deputado estadual. Foi líder da oposição e recebeu o Prêmio Leão do Norte, que é entregue pela Assembleia Legislativa aos parlamentares mais destacados.  Chegou à Câmara dos Deputados em 1994. Ficou à disposição do governo de Pernambuco como secretário do Governo (1995). Em 1996 assumiu a Secretaria da Fazenda. Com a campanha “Todos com a nota” deu impulso à cultura e ao futebol pernambucano e elevou a arrecadação de tributos a nível jamais alcançado.  Foi reeleito em 1998 como o deputado federal mais votado no estado. Em seu terceiro mandato, como líder da bancada do PSB, tornou-se um dos principais articuladores do Governo Lula no Congresso, na aprovação das reformas da Previdência e Tributária. Recebeu sempre destaque na avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) e esteve por três anos na lista dos 100 parlamentares mais influentes. Participou de várias Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) com destaque na do Futebol Brasileiro (Nike/CBF) onde, como sub-relator, denunciou o tráfico de crianças e adolescentes brasileiros para o exterior. Foi presidente da Frente Parlamentar de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural Brasileiro, de caráter suprapartidário e criada por sua iniciativa. Entre os projetos de lei, destacamos o que tipifica o sequestro relâmpago como crime no código penal e o que permite o uso de recurso do FGTS para o pagamento do ensino superior do trabalhador e seus dependentes.  Assumiu em 2003 o Ministério de Ciência e Tecnologia, ampliando a política de colocar o conhecimento científico e tecnológico a serviço da sociedade. Articulou com o Congresso a aprovação do Programa de Biossegurança, que permite o uso de células-tronco embrionárias para fins de pesquisa e conseguiu a aprovação por unanimidade da Lei de Inovação Tecnológica que cria um marco regulatório na relação entre universidades, empresas e instituições de pesquisa.  Em agosto de 2005 foi eleito presidente do PSB, durante seu X Congresso e reeleito para o período de 2008 a 2011.  Foi governador de Pernambuco de 2007 a 2014: eleito em 2006 tendo como compromisso o enfrentamento da pobreza, da miséria, da violência e da exclusão social em um governo de transparência e de portas abertas ao povo, foi reeleito com alta aprovação. Concorreu à Presidência do Brasil: deixou o governo em 2014 para se candidatar à presidência da República, formando aliança com a ex-senadora Marina Silva. Antes de se lançar candidato, rompeu com o governo da presidente Dilma Rousseff e migrou para a oposição.  Faleceu em 13 de agosto de 2014, aos 49 anos, em um trágico acidente aéreo durante a campanha presidencial, deixando a esposa, Sra. Renata Campos, e cinco filhos. Eduardo Campos foi reconhecido por sua habilidade política e gestão técnica.

Explorar Coleção
Miguel Arraes
8 itens
Coleção

Miguel Arraes

Miguel Arraes de Alencar nasceu no dia 15 de dezembro de 1916 em Araripe, no Ceará, filho de pequenos proprietários rurais. Fez o curso primário em sua cidade natal e o ginásio em Crato no Ceará. Em 1932 foi morar no Rio de Janeiro onde ingressou na Faculdade de Direito. Com dificuldade para obter emprego que o sustentasse nos estudos, transferiu-se para Recife, onde conseguiu modesto cargo no Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Prosseguiu o curso na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1937. Sua inteligência privilegiada fez com que ascendesse na hierarquia do Instituto, participando da elaboração do Estatuto da Lavoura Canavieira, convertido em Lei em 1941. Em 1943 tornou-se delegado do Instituto, cargo que ocupou até 1947. Neste ano, Barbosa Lima Sobrinho foi eleito governador de Pernambuco e convidou-o para ser secretário da Fazenda. Arraes ficou no cargo até 1950. Neste ano concorreu ao cargo de deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD), ficando na primeira suplência. Concorreu novamente em 1954, elegendo-se pelo Partido Social Trabalhista (PST). Apoiou a candidatura de João Cleofas da União Democrática Nacional (UDN) com aliança à esquerda. A vitória, porém, foi de Cordeiro de Farias (PSD).  Arraes assume o mandato em 1955 e alia-se à oposição ao governo estadual, participando da Frente de Esquerda, constituída pelos comunistas, socialistas e trabalhistas, com o objetivo de eleger Pelópidas da Silveira (PSB) para a prefeitura de Recife. No mesmo ano, Pelópidas venceu com folga as eleições e assumiu a prefeitura. O ano de 1955 é de crescimento da influência da esquerda, também na área rural. Fundou-se a Sociedade Agrícola e Pecuária de Pernambuco (SAPP), primeira associação de camponeses do estado, reunindo os arrendatários do Engenho Galileia em Vitória de Santo Antão, com o objetivo de comercializar verduras e fazer um programa assistencial. O advogado da associação era o deputado estadual Francisco Julião (PSB). Arraes e os membros da frente de esquerda deram apoio à iniciativa.  Nos anos seguintes as associações foram se multiplicando com o nome de Ligas Camponesas, com intensa repressão do governo estadual. O confronto entre a oposição e o governo culminou com a adoção de novo Código Tributário em 1957. Os empresários da Federação das Indústrias e Associação Comercial decretaram greve e os operários e trabalhadores rurais apoiaram. Miguel Arraes era líder da bancada oposicionista e selou a unidade dos parlamentares, empresários e trabalhadores contra a aprovação do Código Tributário. O movimento grevista sofreu violenta repressão policial. Em maio de 1958, por iniciativa empresarial e apoio da frente de esquerda ocorre nova greve com repressão policial. Neste ano, Arraes recebeu o título de Deputado do Ano pelo voto unânime dos colegas. Cid Sampaio, seu concunhado Arraes, concorre ao Governo do Estado, na Coligação Oposições Unidas (UDN, PSB, PTN, PTB e PSP) e vence as eleições. Arraes era candidato à reeleição. Segundo Paulo Cavalcanti, “tão grande fora seu interesse pela vitória de Cid Sampaio que se descuidou da própria candidatura, sendo derrotado.  Em 1959, Arraes foi nomeado secretário de Finanças do Governador Cid Sampaio. Muitas vezes houve divergências entre eles, pois Cid acabou apoiando-se nos setores conservadores. Formou-se uma frente oposicionista, PST, PTN e PRP que, com apoio do PSB e PCB, levou Arraes a ganhar as eleições para prefeito do Recife. Em sua gestão houve ampliação do sistema de águas e esgotos e energia elétrica principalmente para os pobres dos mocambos. Urbanizou bairros pobres e o bairro litorâneo de Boa Viagem, pavimentou e iluminou muitas ruas e inaugurou a rede de ônibus elétricos. A realização mais importante foi o Movimento de Cultura Popular (MCP) instituído com a colaboração de estudantes, artistas e intelectuais. Iniciou-se com a alfabetização de adolescentes e adultos em salas cedidas por associações de bairros, entidades esportivas e templos. Logo passou para a conscientização política e elevação cultural das camadas populares, com galerias de arte, cinemas, teatros, parques de recreação, oficinas de artes plásticas. Havia mesas-redondas sobre cultura popular e valorização do artesanato e das festas tradicionais. A direita acusava Arraes de ser comunista. Mas entre os criadores do MCP estava Paulo Freire, que com apoio da CNBB elaborou métodos de alfabetização que libertavam os trabalhadores através da consciência política. A CNBB vai criar em 1961 o Movimento de Educação de Base (MEB), valorizando a cultura popular.  O quadro político se radicalizava entre esquerda e direita em todo o país. Novamente uma frente de esquerda apoia Arraes e ele é eleito governador de Pernambuco em 1962. O Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) canalizou dinheiro norte-americano para a candidatura do adversário João Cleofas, mas Arraes foi eleito pelo voto popular.  Logo que assume o governo Arraes celebra um acordo entre os trabalhadores e plantadores com um código de tarefas no campo, impedindo assim que, ao ser decretado um reajuste do salário-mínimo por parte do governo federal, os empresários aumentassem as tarefas anulando na prática o reajuste. Paralelamente houve a ampliação do crédito agrícola para os pequenos proprietários. Com a colaboração da Igreja Católica e dos comunistas, deu início à sindicalização rural que evitava o radicalismo exacerbado das Ligas Camponesas dirigidas por Julião. Para evitar litígios foram enviados ao campo delegados de polícia para desarmar usineiros e proprietários de terra. Foram criados Armazéns de Abastecimento que vendiam alimentos de primeira necessidade com preços abaixo do comércio local. Foi criado o Serviço de Assistência Itinerante (SAI) para soluções emergenciais aos problemas sanitários do interior. O Laboratório do Estado foi criado, produzindo os remédios de maior consumo popular a preços módicos. A ligação com os trabalhadores era uma das características básicas de seu governo. Já em março de 1964, quando o clima político no país se radicalizava, realiza se o Encontro de Palmares, na sede do maior sindicato de trabalhadores rurais do país. Durante uma semana são discutidas com os camponeses as políticas do governo.  No dia 31 de março de 1964 eclode o golpe militar. No dia 1º, estudantes realizam manifestação no Recife gritando “Abaixo o golpe” e “Viva Miguel Arraes”. As tropas do exército abrem fogo e matam dois estudantes secundaristas. O comandante do 3º Distrito Naval tenta inutilmente convencer Arraes a renunciar. Ante a negativa, o governador é preso e levado para a ilha de Fernando Noronha. No dia 9 de abril o nome de Arraes está na primeira lista de cassação dos direitos políticos. Arraes será transferido de prisões indo para o Recife e depois para o Rio de Janeiro. No dia 21 de abril de 1965 consegue habeas-corpus do STF. Quatro dias depois se asila na embaixada da Argélia e pouco depois vai para o exílio em Argel. Em entrevista concedida ao jornal Le Monde, no dia 30 de julho, afirma que a situação do Brasil é semelhante à de Cuba durante a ditadura de Fulgêncio Batista.  No exílio entra em contato com os líderes dos movimentos de libertação africanos, encontra-se com oposicionistas brasileiros, dá entrevistas e escreve. Seu livro, O Brasil, o povo e o poder foi editado em Paris e, posteriormente, a Fundação João Mangabeira editou-o no Brasil. Faz uma análise da História do Brasil em que a questão central é a dominação estrangeira e o caminho da libertação está na organização popular.  Em setembro de 1979, depois da anistia, retorna ao Brasil, defendendo as mesmas ideias que o tornaram grande liderança popular. Uma multidão o recebe. Filia-se ao MDB e participa de entrevistas e debates. É eleito em 1982 pelo PMDB como deputado federal por Pernambuco com a maior votação já vista no estado. Na Câmara, foi líder da “esquerda independente” no PMDB.  Em 1986 é eleito governador de Pernambuco apoiado por uma frente partidária que reúne o PMDB, PCB, PCdoB e PSB. Dirigiu para os setores populares suas principais ações de governo, como a expansão do sistema hídrico, o crédito rural no sertão, a distribuição de sementes no agreste, a desapropriação de terras e a preservação do emprego na entressafra da cana-de-açúcar na Zona da Mata, programas alternativos de habitação e expansão dos serviços de saúde, educação, documentação e transporte. Estimulou a interiorização da indústria. Implantou projetos como “Vaca na corda” que financiava a compra de uma vaca, “Chapéu de Palha” que contratava canavieiros na entressafra para trabalhar em pequenas obras públicas e o “Água na roça” que financiava a compra de moto bomba para a irrigação. No segundo turno das eleições presidenciais de 1989 engaja-se ativamente na campanha de Lula. Entre o eleitorado pernambucano Lula venceu Collor.  Em fevereiro de 1990 desligou-se do PMDB e filiou-se ao PSB. Em julho tornou-se vice-presidente do PSB e em novembro foi eleito o deputado federal proporcionalmente mais votado do país. Já em seu primeiro pronunciamento na Câmara anunciou que sua atuação teria como prioridade “lutar contra a política econômica recessiva”. Presidiu de 1991 a 1995 a Frente Parlamentar Nacionalista. Apoiou a abertura da CPI para investigar as denúncias contra Collor e o impeachment.  Quando Itamar Franco assumiu, apoiou a participação do PSB no governo com os ministros Jamil Haddad, na Saúde, e Antônio Houaiss, na Cultura. Para Arraes, apesar do PSB ter bancada reduzida, daria um perfil progressista ao governo, do qual só se distanciava na questão da regulamentação das patentes e em alguns pontos do programa de privatização. Assumiu a presidência do PSB, pois Jamil Haddad tornou-se ministro da Saúde e foi reeleito no Congresso Nacional de 1993.  Em 1994, foi eleito pela terceira vez governador de Pernambuco. Participou do bloco de governadores contrários ao programa econômico do governo de Fernando Henrique Cardoso. Com mais seis governadores do Nordeste, indicou ao governo federal dez propostas de curto prazo para a região. Foi derrotado ao tentar a reeleição para o governo de Pernambuco em 1998. Em 2002 retorna à Câmara Federal.  Foi reeleito em 1995, 1997, 1999, 2001 e 2003 para a presidência do PSB. Arraes foi casado com Célia de Souza Leão, com quem teve 8 filhos. Com a morte desta, em 1961, contraiu segundo matrimônio com Maria Madalena Fiúza Arraes de Alencar, com quem teve dois filhos. Publicou: Palavras de Arrais (1965), Carta de Argel (1967), O Brasil e o povo no poder (1970), Brasil: a questão nacional (1973) A nova face da ditadura, o jogo do poder no Brasil (1981), Os rumos da mudança (1984), A democracia e a questão nordestina (1985), A dívida externa e outras questões (1987), Miguel Arraes: pensamento e ação política (org. Jair Pereira e outros), 1997. No dia 13 de agosto de 2005, Arraes faleceu.

Explorar Coleção
Jamil Haddad
6 itens
Coleção

Jamil Haddad

Jamil Haddad nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de abril de 1926 e faleceu em 1993. Quando jovem estudante começou a jogar basquete, pois era dos mais altos com seus 1,87m. Em 1944 entra para a Faculdade Nacional de Medicina, na Praia Vermelha, na qual foi membro do Diretório Acadêmico. Remou pela Faculdade em 1946 e no ano seguinte pelo Botafogo. Entre 1948/49 foi bicampeão carioca de basquete pelo Flamengo. Em 1949, formou-se em medicina e encerrou a vida esportiva.  De 1950 a 1962 foi ortopedista do Iapetec, depois Inamps, de Bonsucesso, Hospital Manoel Vargas.  Em 1956 ingressou, pelas mãos de Bayard Boiteux, no PSB. Foi eleito deputado, em 1962, na Assembleia Legislativa do então Estado da Guanabara. Foi presidente da Comissão de Economia e vice-líder da oposição ao Governo Carlos Lacerda. Casou-se em 1963 com Aída Gomes.  Com a extinção dos partidos políticos em 1965, esteve entre os fundadores do MDB, sendo reeleito deputado estadual. Neste mandato presidiu a Comissão de Saúde. Foi membro das Comissões de Inquérito que apuraram a introdução e uso dos anticoncepcionais no país, sem controle médico, e do uso e tráfico de entorpecentes em estabelecimentos de ensino da rede estadual.  Em 1968, foi o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para apurar os incidentes que culminaram com o assassinato do estudante Édson Luiz, no Calabouço. Após o AI-5, em dezembro de 1968, preso, teve seu mandato parlamentar cassado e os direitos políticos suspensos por 10 anos. Voltou a se concentrar na medicina no Hospital da Cruz Vermelha, onde fundou o Serviço de Acidentados do Trabalho, em convênio com o INPS.  Em 1979, após a anistia, voltou ao Hospital de Bonsucesso, sendo um dos fundadores do Serviço de Trautortopedia. Voltou também à política, fundando com companheiros o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Integrou a direção da campanha que levou Brizola ao governo do Estado do Rio de janeiro, em 1982.  Em 23 de março de 1983, foi aprovado, por expressiva votação da Assembleia Legislativa, para ser prefeito do Rio de Janeiro. Tomou posse e iniciou sua administração com elevado déficit orçamentário deixado pelo prefeito anterior. Com trabalho austero foi reequilibrando as finanças do município. Defendeu a tese de construção de um local definitivo para o desfile das escolas de samba e outros eventos, visando acabar com a indústria do monta e desmonta, que infernizava a vida da cidade e causava sérios prejuízos financeiros, durante cerca de oito meses. Vitoriosa sua proposta, acompanhou de perto o planejamento e a construção do Sambódromo. Na sua gestão decretou a intervenção na RIOTUR, promovendo o saneamento financeiro. Preocupado com as chuvas incessantes que atingiam a cidade e sabedor da precariedade das encostas, preferiu alocar os poucos recursos disponíveis para um rigoroso trabalho de geotécnica, fazendo obras em 86 encostas. Reformulou e implantou, dois meses após a posse, um revolucionário sistema de merenda na escola. Os diretores das escolas passaram a administrar as compras e o preparo da merenda que passou a ser balanceada, com alimentos frescos, cobrindo as necessidades dos alunos. Acabou assim a indústria fraudulenta da merenda escolar. Implantou o sistema pioneiro de coleta de lixo nas favelas com mini-tratores. Determinou estudos para programa de aleitamento materno que foi implantado no governo que o sucedeu. Instaurou inquéritos administrativos na Secretaria de Saúde pelos constantes desvios de material hospitalar e medicamentos. Implantou um novo sistema de compras, recorrendo a laboratórios públicos, com grande economia para a área de saúde. Deixou a prefeitura em 1983.  Em 1985 foi um dos reorganizadores do PSB. Como suplente de Saturnino Braga, assumiu o Senado Federal quando este foi eleito prefeito do Rio de Janeiro, em 1986. Além de um brilhante trabalho parlamentar, criou condições para a organização do PSB em todo o país. Foi presidente nacional do PSB de 1986 a 1992. Teve papel fundamental na organização da Frente Brasil Popular com Lula para presidente e Bisol, do PSB, para vice. Em 1990 foi eleito deputado federal, liderando a oposição socialista ao Governo Collor. No Governo Itamar Franco foi ministro da Saúde. Em sua gestão foi implantado o SUS em todo o país e incentivou a prevenção com o Programa Saúde da Família. Com o decreto dos genéricos conseguiu baratear o preço dos medicamentos. Em 1993 foi eleito presidente de honra do PSB. Em 2003 encerrou sua carreira político parlamentar como deputado estadual.

Explorar Coleção
Antônio Houaiss
4 itens
Coleção

Antônio Houaiss

Antônio Houaiss foi professor, filólogo, linguista, diplomata, enciclopedista, dicionarista, político, enfim, um humanista. Nasceu no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 1915 e morreu, também no Rio, em 7 de março de 1999.  Sua formação intelectual foi no ensino público. Tornou-se perito-contador em 1933, terminou o curso secundário de Madureza em 1935, bacharel em 1940 e licenciado em 1942 em Letras Clássicas, pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Casou-se, em 1942, com Ruth Marques de Salles, falecida em 1988, e não teve filhos. Lecionou Português, Latim e Literatura no magistério secundário oficial do então Distrito Federal, entre 1934 a 1946, quando pediu exoneração, ao optar pela carreira diplomática ao ser aprovado em concurso público. Foi vice-cônsul em Genebra (1947/1949), integrando representações brasileiras às Assembleias Gerais das Nações Unidas, da Organização Internacional do Trabalho, da Organização Mundial da Saúde, e da Organização Mundial de Refugiados. Foi terceiro secretário da Embaixada do Brasil em São Domingos, República Dominicana, de 1949 a 1951, e em Atenas, de 1951 a 1953. Neste ano, como efeito da “guerra fria”, foi colocado à disposição, sem remuneração, junto com João Cabral de Melo Neto e outros, sob a acusação de atividades subversivas. O ato foi anulado, por votação unânime do STF, sendo reintegrado a suas funções. Foi para a delegação permanente do Brasil na ONU, em Nova York, em 1960. Como membro da Comissão de Anistia de Presos Políticos de Ruanda-Urundi, examinou os processos de 1.220 presos políticos, sendo anistiados, todos, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1962. Foi relator da IV Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas (tutela e territórios não autônomos), em 1963.  Com o golpe militar de 1964, foi retirado da vida diplomática e teve cassados seus direitos políticos por 10 anos. Voltou ao Brasil para nova trincheira: a resistência ao regime militar. Foi redator do Correio da Manhã (1964-1965) e editor-chefe da Enciclopédia Mirador Internacional. Foi membro da Comissão para o Estabelecimento de Diretrizes para o Aperfeiçoamento do Ensino/Aprendizagem da Língua Portuguesa, com relatório conclusivo em dezembro de 1985.  Em 1985, foi eleito, pelos refundadores, o primeiro presidente do PSB reconstruído. Foi depois, presidente da Regional Fluminense, candidato a vice-governador e senador da República pelo PSB, ficando todo este tempo como membro do Diretório Nacional do Partido.  Foi secretário e delegado porta-voz brasileiro no Encontro para Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, no Rio de Janeiro, em 1986. Organizou em 1988, o Congresso Internacional de Tradutores, em Campos.  Publicou 19 livros, entre eles: Socialismo e Liberdade (1990), Variações em torno do conceito de democracia (1992), Socialismo: vida, morte e ressurreição (1993) e A modernidade no Brasil: conciliação e ruptura (1995), esses, em colaboração com Roberto Amaral.  Foi Ministro da Cultura do Governo Itamar Franco (1993) e presidente da Academia Brasileira de Letras em 1996.  Conhecido como “maior estudioso das palavras da língua portuguesa” em tempos modernos, organizou em dez anos, as duas enciclopédias mais importantes do país: Delta-Larousse e Mirador Internacional. Sua última obra, concluída pela equipe que o acompanhava, é o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, e foi o primeiro tradutor, em língua portuguesa de Ulisses, de James Joyce.

Explorar Coleção
Ariano Suassuna
8 itens
Coleção

Ariano Suassuna

Ariano Vilar Suassuna nasceu em João Pessoa/PB em 16 de junho de 1927. Foi um escritor, poeta, dramaturgo, romancista, filósofo, artista plástico, professor, ensaísta, político e advogado brasileiro. Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida (1955) e Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), Ariano Suassuna foi um defensor da cultura do Nordeste do Brasil e um dos maiores expoentes da literatura brasileira, tendo sido, em 2012, indicado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal como representante do Brasil na disputa pelo Prêmio Nobel de Literatura. Como um autor de renome internacional, as obras de Suassuna já foram traduzidas para diversos idiomas, incluindo inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês, tendo sido também objeto de inúmeros trabalhos acadêmicos em universidades brasileiras e estrangeiras. Na administração pública, foi secretário de Educação e Cultura da cidade de Recife (1975–1978), secretário de Cultura de Pernambuco (1994–1998), secretário especial de Cultura de Pernambuco (2007–2010) e secretário da Assessoria Especial do governador Eduardo Campos (2011–2014). Declaradamente socialista e de esquerda, em 2011 foi nomeado presidente de honra do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ao qual era filiado desde 1990. Ao longo de sua vida, Suassuna recebeu diversos prêmios e honrarias, incluindo o título de Cidadão de Pernambuco (1967) e o Prêmio Nacional de Ficção (1973), este concedido pelo Instituto Nacional do Livro (INL/MEC). Por indicação da escritora Rachel de Queiroz, foi um dos membros fundadores do Conselho Federal de Cultura, ao lado de Guimarães Rosa, Gilberto Freire, Adonias Filho, Affonso Arinos, Roberto Burle Marx, entre outros grandes nomes da literatura e das artes brasileiras. Além de sua carreira literária, por mais de 30 anos Ariano Suassuna também atuou como professor da Universidade Federal de Pernambuco, onde lecionou Estética, História da Arte, Cultura Brasileira, Teoria do Teatro e disciplinas afins entre 1956 e 1989, quando então se aposentou das atividades docentes na referida instituição. Em 1989 foi eleito para a cadeira n.º 32 da Academia Brasileira de Letras. Em 1993 foi eleito para a cadeira n.º 18 da Academia Pernambucana de Letra, e em 2000 ocupou a cadeira n.º 35 da Academia Paraibana de Letras.Em 1995, recebeu o título de professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco.Faleceu em Recife/PE em 23 de julho de 2014.

Explorar Coleção
João Mangabeira
4 itens
Coleção

João Mangabeira

João Mangabeira nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 26 de junho de 1880. Durante o curso superior, na Faculdade de Direito de Salvador, ingressou na redação do jornal A Bahia, onde defendeu soluções republicanas e democráticas para os problemas brasileiros. Em 1896, junto com seu colega Bernardino Madureira de Pinho, redigiu violento manifesto condenando a repressão em Canudos: “barbarismo indigno de um povo civilizado e afrontoso às tradições da Bahia”. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1897, com 17 anos, mudou-se para Ilhéus para praticar a advocacia. Na estreia, defendendo um réu miserável, denunciou que “a principal responsável por aquele farrapo humano não era ele, o analfabeto, era a sociedade que o gerava e que, sem nada lhe ter dado, dele tudo exigia.” Fundou aí o jornal A Luta, de oposição às forças conservadoras locais. Em 1906, foi eleito deputado estadual, sendo nomeado prefeito de Ilhéus em 1907. Sua administração trouxe muitas melhorias como a instalação do sistema de água e esgoto, serviços de iluminação e energia elétrica, calçamento das principais ruas com paralelepípedos, construção de escolas e generalização da cobrança de impostos. Foi eleito deputado federal em 1909. Neste período participou ativamente da Campanha Civilista de Rui Barbosa para a presidente da República. Foi para o Rio de Janeiro em 1911, tornando-se o redator-chefe do jornal Diário de Notícias. Foi eleito novamente para a Câmara dos Deputados em 1914 e teve o mandato renovado até 1929. Com a Revolução de 3 de outubro de 1930, perdeu o mandato, pois houve a dissolução do Legislativo. Retornou, assim, à advocacia. Em novembro de 1932 foi nomeado membro da Comissão que elaborou o projeto da nova Constituição. Teve atuação importante, sendo de sua autoria a inclusão do mandado de segurança no texto. A Constituição foi promulgada em 1934. No mesmo ano, foi eleito para a Câmara Federal. Junto com outros 19 deputados e o senador Abel Chermont, fundou o grupo parlamentar pró-liberdades populares para combater a lei de segurança nacional, em vigor desde março de 1935. Em 23 de novembro irrompe em Natal a Insurreição Comunista. No dia seguinte Vargas pediu permissão ao Congresso para decretar Estado de Sítio nacional por 60 dias. O pedido foi aprovado com os votos contrários de João Mangabeira, Domingos Vellasco e outros deputados oposicionistas. Com a eclosão do movimento no Rio, seu filho, Francisco Mangabeira, um dos signatários do manifesto de fundação da Aliança Nacional Libertadora (ALN) foi preso. João Mangabeira impetrou hábeas- corpus para o filho e os demais detidos no navio Pedro I. Foi recusado. Em 21 de março de 1936, o Estado de Guerra foi implantado ampliando os poderes discricionários. Foram presos o senador Chermont, os deputados João Mangabeira, Domingos Vellasco e outros, sob a acusação de fazerem parte de um “comitê parlamentar a serviço de Luís Carlos Prestes”. João Mangabeira foi libertado no final de junho e fez pronunciamento contrário às violências e crimes praticados pelo governo. Com a implantação do Estado Novo em 10 de novembro de 1937, foram fechados os legislativos e Mangabeira perdeu novamente o mandato. Em 1943, uma conferência sobre Rui Barbosa foi desdobrada em artigos no Diário Carioca e depois reunidos no livro Rui, o Estadista da República. Em fins de 1944, paraninfo da turma da Faculdade de Direito de Salvador, fez discurso conceituando o Estado de Direito e a Democracia. O texto foi censurado no jornal que tentou publicá-lo. Só em 1955 sairia publicada a “Oração do Paraninfo”. Em janeiro de 1945 foi um dos delegados baianos no I Congresso Brasileiro de Escritores, em São Paulo, no qual foi aprovada por unanimidade uma declaração a favor da democratização do país. Com o fim da censura à imprensa, os repórteres pediram declarações sobre as anunciadas eleições. Disse ele: “Não temos eleições – nós e as tribos africanas”. Em artigo publicado em 2 de março de 1945 mostrava que a estrutura fascista permanecia e concluía: “em todo ditador é grande a vontade de ficar, mas muito maior é o medo de sair.” Criada a União Democrática Nacional (UDN) em 7 de abril, passou a integrá-la. Um grupo de tendências socialistas foi se constituindo e nasceu a Esquerda Democrática, que procurava livrar a UDN de “ranços conservadores”. Em agosto de 46 ela se tornou o Partido da Esquerda Democrática e João Mangabeira foi eleito deputado federal (DF) em janeiro de 1947, em eleições complementares. Quando o PCB teve seu registro cancelado, em maio de 1947, fez pronunciamento na Câmara defendendo os mandatos comunistas. Foi derrotado nesta ideia. Em agosto de 1947 a ED passou a denominar-se Partido Socialista Brasileiro e João Mangabeira tornou- se seu presidente. Nessa legislatura ele apresentou diversos projetos: lei sindical de emergência para livrar os sindicatos do atrelamento ao Ministério do Trabalho, extensão dos direitos trabalhistas ao campo, anistia aos condenados por greves. Em 1950 foi candidato a presidente da República pelo PSB, com Alípio Correia de vice. O resultado foi inexpressivo eleitoralmente: 9.466 votos contra 3.849.040 para Vargas. Mas quando os adversários de Vargas tentaram impugná-lo sob o pretexto de não haver obtido maioria absoluta, defendeu a legitimidade da posse, pois a Constituição não fazia esta exigência. Na “Campanha do Petróleo é nosso”, em 1953, declarou em palestra: “Amigos do povo dos Estados Unidos, sempre. Agentes das grandes empresas norte-americanas, nunca... Permitir que qualquer dessas empresas... penetre, ainda que seja com a posse de uma ação, numa companhia mista de exploração de riquezas essenciais à defesa nacional, é crime contra a pátria.” Durante o governo JK foi nomeado membro do Conselho Superior das Caixas Econômicas. Em 1958 foi derrotado na eleição para o Senado. No governo Goulart foi Ministro de Minas e Energia entre julho e setembro de 1962 e Ministro da Justiça entre setembro de 1962 e maio de 1963. Morreu no Rio de Janeiro, em 27 de abril de 1964, pouco depois do golpe militar.

Explorar Coleção
Arthur Moreira Lima
4 itens
Coleção

Arthur Moreira Lima

Arthur Moreira Lima (Rio de Janeiro, 16 de julho de 1940 — Florianópolis, 30 de outubro de 2024) foi um dos mais renomados pianistas clássicos do Brasil, reconhecido internacionalmente por sua técnica, sensibilidade e compromisso com a difusão da música erudita e popular. Iniciou seus estudos de piano aos seis anos e, ainda criança, já se apresentava com grandes orquestras brasileiras. Ganhou destaque internacional ao conquistar o segundo lugar no Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin em Varsóvia (1965) e, posteriormente, prêmios em outras competições de prestígio como a Tchaikovsky (1970). Ao longo da carreira, gravou dezenas de discos e apresentou-se com importantes orquestras na Europa, Estados Unidos, Rússia e outras regiões. É conhecido por suas interpretações de compositores românticos (como Chopin e Liszt) e também pela valorização da música brasileira, incluindo obras de Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Radamés Gnattali e repertório do choro e samba. Criou o projeto “Um Piano pela Estrada”, levando música clássica e apresentações ao vivo em praças e comunidades por todo o Brasil, com um caminhão-palco que percorreu os 26 estados e o Distrito Federal. Arthur Moreira Lima ingressou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2011. Era membro do Diretório Nacional e participou de congressos e eventos, sendo lembrado com carinho por lideranças do partido. Foi homenageado no XVI Congresso Nacional do partido, 2025, pelo então presidente nacional Carlos Siqueira, que destacou sua contribuição à cultura e à militância socialista.

Explorar Coleção
Evandro Lins e Silva
6 itens
Coleção

Evandro Lins e Silva

Evandro Cavalcanti Lins e Silva  nasceu na Parnaíba em 18 de janeiro de 1912 e faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 2002. Foi um jurista, jornalista, escritor e político brasileiro. Foi procurador-geral da República, ministro-chefe da Casa Civil, ministro das relações exteriores e ministro do Supremo Tribunal Federal. Atuou como advogado na área penal, lecionou direito penal na então Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ, e foi membro da Academia Brasileira de Letras. Filho de Maria do Carmo Uchôa Cavalcanti e de Raul Lins e Silva, ambos pernambucanos. Sua mãe era sobrinha-neta do magistrado e jurista João Barbalho Uchôa Cavalcanti. Seu pai, bacharelado pela Faculdade de Direito de Recife em 1906, fez carreira como magistrado. Graduou-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 19 de novembro de 1932. Ainda estudante já trabalhava no ofício de jornalista, que manteve após formado advogado. Como advogado, especializou-se em matéria penal e desenvolveu intensa atividade profissional, até o ano de 1961, no Tribunal do Júri, nos juizados criminais, nos tribunais superiores e no Supremo Tribunal Federal, defendendo, ainda, inúmeros processos de grande repercussão, inclusive em matéria política, perante o Tribunal de Segurança Nacional e a Justiça Militar. Em 1956, foi contratado como Professor da Cadeira de História do Direito Penal e Ciência Penitenciária, no curso de doutorado, da Faculdade de Direito do então Estado da Guanabara, onde lecionou até 1961. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro, em 1947, juntamente com Rubem Braga, Joel Silveira, entre outros. Foi também ministro da Casa Civil e ministro das Relações Exteriores em 1963. Ocupou o cargo de procurador-geral da República, de setembro de 1961 a janeiro de 1962, e ministro do Supremo Tribunal Federal, de setembro de 1963 a janeiro de 1969, quando foi aposentado por força do AI-5. Foi membro do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil em vários períodos, entre 1944 e 1961, e, depois de aposentado, de 1983 a 1995. Foi um dos advogados responsáveis pelo pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Como escritor publicou diversas obras, como A Defesa tem a Palavra, Arca de Guardados e O Salão dos Passos Perdidos, utilizou a tese de "legítima defesa da honra" na defesa de Zulmira Galvão Bueno e, posteriormente, na de Doca Street. Evandro, apesar da avançada idade, tinha uma ótima saúde. Faleceu num acidente, ao tropeçar e bater com a cabeça numa calçada.

Explorar Coleção
Hermes Lima
5 itens
Coleção

Hermes Lima

Hermes Lima nasceu a 22 de dezembro de 1902, em Livramento, Estado da Bahia. Após os estudos primários e secundários na cidade natal, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade da Bahia, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1922.Dedicado ao magistério, obteve em 1925, por concurso, o cargo de Livre-Docente de Sociologia, no Ginásio da Bahia; a Livre-Docência de Direito Constitucional, por concurso, da Faculdade de Direito da Bahia, no mesmo ano, e a Livre-Docência da mesma cadeira, na Faculdade de Direito de São Paulo, no ano seguinte. Em 1932, foi Assistente de Sociologia Geral do Instituto de Educação Caetano de Campos, de São Paulo. Catedrático, por concurso, da Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, em 1933. Exerceu, ainda, o cargo de Diretor da Escola de Economia e Direito da Universidade do Rio de Janeiro (1934) e o de Diretor da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (1957-1959) e atuou como redator em diversos jornais. Foi Deputado Estadual, na Bahia, em 1925, sendo eleito Deputado Federal, pelo antigo Distrito Federal, à Assembleia Constituinte de 1946. Participou, então, da Comissão de Constituição e Justiça. Em 1945 participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN), elegendo-se Deputado Constituinte pelo antigo Distrito Federal. Em 1947 participou da fundação do Partido Socialista Brasileiro, indo em 1950 para o Partido Trabalhista Brasileiro. Exerceu a Chefia da Casa Civil da Presidência da República, no Governo João Goulart, de 12 de setembro de 1961 a 14 de julho de 1962, quando se afastou para ocupar o cargo de Ministro do Trabalho e Previdência Social. Em seguida, foi escolhido Presidente do Conselho de Ministros, a 18 de setembro de 1962, acumulando as funções com as de Ministro das Relações Exteriores. Deixou as referidas pastas em 23 de janeiro de 1963 e, restabelecido o sistema presidencialista, permaneceu à frente do Ministério das Relações Exteriores, a partir de 24 de janeiro de 1963. Representou o Brasil em diversas missões no exterior, participando, como delegado, da VI Sessão da Assembleia Geral da ONU (Paris-1951); VII, XII e XV Sessões da Assembleia Geral da ONU (Nova York-1952, 1957 e 1960); X Conferência Interamericana (Caracas-1954) e Conferência Econômica da Organização dos Estados Americanos (Buenos Aires-1957). Em 1962, foi eleito membro do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília e do Conselho Federal de Educação. Nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, por decreto de 11 de junho de 1963, do Presidente João Goulart, na vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Frederico de Barros Barreto, tomou posse em 26 do mesmo mês. Indicado Juiz Substituto do Tribunal Superior Eleitoral, em 1967. Foi aposentado por decreto de 16 de janeiro de 1969, baseado no Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968 deixando de ser provida a vaga respectiva em face do Ato Institucional nº 6, de 1º de fevereiro de 1969, que reduziu de 16 para 11 o número de Ministros, restabelecendo a composição anterior ao Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965. Publicou várias obras, destacando-se Introdução à Ciência do Direito (1933); Problemas do Nosso Tempo (1935); Tobias Barreto, a Época e o Homem (1939); Notas à Vida Brasileira (1945); Lições da Crise (1955); Idéias e Figuras (1957); Variações Críticas sobre o Nacionalismo (1958); Aspectos da Atualidade Brasileira (1962) e Travessia (1974). Eleito para a Academia Brasileira de Letras - ABL, em 23 de agosto de 1968, ocupou a cadeira nº 7, que tem como patrono Castro Alves. Uma de suas mais caras defesas durante a vida foi a do "Estado de Direito". Durante o Regime Militar, viu como única forma de preservar a integridade física do amigo Anísio Teixeira, fazer dele um imortal da A.B.L., lançando assim a sua candidatura. Anísio morreu, em 1971, de forma misteriosa, justamente quando realizava sua última visita protocolar.Foi casado com D. Maria Moreira Dias de Lima. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1º de outubro de 1978. Referência:LAGO, Laurenio. Supremo Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: dados biográficos 1828-2001. 3. ed. Brasília: Supremo Tribunal Federal, 2001. p. 372-374.

Explorar Coleção